São Tomás de Aquino: Quem Foi o Santo que Uniu Fé e Razão

São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja: Fé e Razão (28 de Janeiro)

Quando a Inteligência Encontra a Fé

Você já parou para pensar naquele momento em que uma dúvida sobre sua fé surge em sua mente? Talvez seja durante uma aula na universidade, uma conversa com amigos céticos, ou até mesmo durante a oração. Naquele instante, você pode se sentir dividido: seu coração acredita, mas sua mente questiona. "É possível ser inteligente E ter uma fé profunda?"

Esta pergunta atravessou séculos. E há cerca de 800 anos, um frade dominicano italiano respondeu com tanta clareza e profundidade que a Igreja Católica ainda o reconhece como o maior mestre dessa integração.

Seu nome é São Tomás de Aquino, e sua festa é celebrada em 28 de janeiro. Mas mais do que um santo de um dia específico, Tomás é padroeiro dos estudantes, dos intelectuais, dos filósofos e das universidades católicas — um guia espiritual para todos nós que lutamos para conciliar razão e fé em um mundo cada vez mais secular.

Neste artigo, vamos explorar a vida extraordinária deste gigante do pensamento medieval, desvendar seu método revolucionário, e mais importante: compreender como sua integração de fé e razão é profundamente relevante para você em 2026.

Quem Foi São Tomás de Aquino? Uma Vida Entre Duas Vocações

O Menino Inquieto que Escolheu o Convento

Nascer na Idade Média como filho de um nobre italiano não era algo pequeno. Tomás de Aquino nasceu em 1225, em Roccasecca, próximo a Nápoles, na região do Lácio. Sua família era de linhagem aristocrática — pessoas com poder, influência, riqueza. Seus pais tinham planos ambiciosos para o menino: carreira militar, casamento estratégico, posição social elevada.

Mas por volta dos 14 anos, algo mudou dentro de Tomás.

Enquanto estudava na Universidade de Nápoles, ele entrou em contato com a Ordem dos Pregadores — os frades dominicanos — e algo despertou em seu coração. A vida religiosa o chamava não como fuga, mas como realização de um propósito maior. Tomás pediu para entrar na Ordem Dominicana.

Sua família ficou furiosa. Isso não era aceitável para um nobre. Seus irmãos foram ainda mais longe: sequestram o jovem Tomás e o mantiveram prisioneiro por um tempo, tentando dissuadi-lo. Alguns relatos históricos até mencionam que tentaram tentá-lo com uma mulher, esperando que ele desistisse de sua vocação.

Mas Tomás era inabalável. Sua escolha era consciente, racional e profundamente espiritual. Ele entendia o que estava fazendo — renunciava ao poder secular para buscar a verdade eterna. Seus pais eventualmente aceitaram a decisão (algo notável para a época) e, em 1244, Tomás se tornou formalmente um frade dominicano.

O Estudante Silencioso que Virou Mestre

Após sua entrada na Ordem, Tomás foi enviado para estudar com um dos maiores mestres da época: Santo Alberto Magno, um Doutor da Igreja que lecionava em Colônia, Alemanha.

Aqui está um detalhe fascinante: Tomás era tímido. Seu silêncio era tão notório que seus colegas o chamavam de "o boi mudo" — uma referência pouco elogiosa, é verdade. Mas Alberto viu algo diferente. Ele compreendeu que a quietude de Tomás era o reflexo de uma mente extraordinária em profunda contemplação. Certa vez, Alberto profetizou: "Este jovem silencioso enche o mundo com seus gritos de doutrina."

O profeta acertou em cheio.

Entre 1245 e 1248, Tomás estudou com Alberto, absorvendo uma abordagem revolucionária ao conhecimento: a integração entre a filosofia aristotélica (recém-redescoberta no ocidente) e a teologia cristã. Esta fusão não era óbvia na época. Muitos pensadores temiam que Aristóteles — um filósofo pagão grego — pudesse contaminar a pureza da fé cristã.

Alberto e depois Tomás entenderam algo fundamental: a verdade é una. Se Deus existe, e Deus criou a razão, então a razão não pode contradizer a fé — ela apenas a complementa.

Tomás levou esta compreensão adiante de forma sistemática como ninguém havia feito antes.

A Vida de um Mestre Itinerante

Após seus estudos, Tomás recebeu diversos títulos acadêmicos e começou a lecionar. Diferentemente de muitos professores medievais que permaneciam em um único lugar, Tomás viajou pela Europa — Paris, Oxford, Itália, Nápoles — sempre ensinando, sempre escrevendo, sempre buscando sintetizar a fé com o conhecimento.

Sua rotina era rígida e contemplativa:

  • Madrugadas em oração
  • Manhã e tarde em aulas
  • Noites inteiras escrevendo

Relatos históricos descrevem Tomás como um homem de poucas palavras em conversas casuais, mas extraordinariamente eloquente quando falava sobre teologia ou filosofia. Seu corpo era robusto — não era o asceta consumido que imaginamos dos santos medievais, mas sim um homem que cuidava da saúde para servir melhor sua vocação intelectual.

Sua vida não era segregada em "mundano" e "espiritual". Tudo era integrado: seu trabalho intelectual era sua oração, sua razão era sua contemplação de Deus, sua lógica era seu louvor.

O Método Revolucionário: A Escolástica de Tomás de Aquino

O que é a Escolástica? (E Por Que Importa Para Você)

Se você foi para a universidade, provavelmente aprendeu a escrever ensaios com argumentos pro e contra. Talvez você aprenda a pensar criticamente, questionando pressupostos. Você tem isso graças, em parte, a Tomás de Aquino.

A escolástica não é um termo bonito em português moderno — parece algo chato, acadêmico, da Idade Média. Mas a escolástica é fundamentalmente um método de aprendizado revolucionário. Aqui está como funciona:

Os Passos da Escolástica

1. Formule uma Questão Clara

Não comece com afirmações. Comece com uma pergunta genuína. Tomás poderia perguntar: "É possível que Deus exista e que as criaturas também existam?" ou "O conhecimento é adquirido somente pelos sentidos?"

2. Reúna os Argumentos Contra

Aqui está o pulo do gato: procure pelos melhores argumentos CONTRA sua posição. Se você acredita em algo, qual é a objeção mais forte? Tomás pesquisaria filósofos, Escrituras, lógica pura — tudo que pudesse contradizer.

3. Apresente Argumentos Favoráveis

Depois apresente argumentos sólidos que apoiam a posição.

4. Resolva com Síntese Profunda

Finalmente, explique como os dois lados podem ser reconciliados em uma verdade maior. Não é escolher um lado — é encontrar a verdade que está acima de ambos.

Por Que Isso Importa Hoje?

Vamos aplicar o método de Tomás a uma questão moderna:

Questão: "É possível ser católico e ter uma carreira científica sem conflito?"

Argumentos contra:

  • A ciência moderna parece contradizer certos ensinamentos católicos (evolução, cosmologia)
  • Muitos cientistas são ateus ou agnósticos
  • Universidades seculares frequentemente promovem ceticismo

Argumentos a favor:

  • Muitos cientistas notáveis são crentes (Georges Lemaître, Francis Collins)
  • A Igreja apoiou ciência por séculos
  • Razão e fé são compatíveis

Síntese Tomista:

A fé responde a perguntas diferentes da ciência. A ciência pergunta "como funcionam as coisas?", a fé pergunta "por quê existem as coisas e qual é seu propósito?" Um católico pode ser um excelente cientista porque entende que estudar a criação de Deus é forma de louvar seu Criador. Não há conflito intrínseco — há complementaridade.

Isto é escolástica aplicada. E isto é exatamente o que Tomás ensinava.

Quando você lê sobre o método escolástico, está vendo uma pedagogia que influenciou universidades por 500 anos e que ainda informa como pensamos.

Fé e Razão: Não É Conflito, É Integração

A Verdade é Uma: A Maior Insight de Tomás

Imagine duas pessoas escalando a mesma montanha por caminhos diferentes. Uma sobe pelo lado norte (racional, filosófico), outra pelo lado sul (mística, contemplativa). Ambas chegam ao topo — no mesmo lugar. Ambas veem a mesma verdade, apenas por ângulos distintos.

Isto é a integração fé-razão de Tomás.

Antes de Tomás, havia uma divisão mental entre o mundo da fé (revelação divina, Bíblia, tradição) e o mundo da razão (lógica, filosofia, observação). Alguns pensadores medievais tratavam estes como separados — você cria por fé em certos assuntos, usava razão em outros.

Tomás disse: "Não. A verdade é una porque Deus é uno."

Se Deus existe, Ele criou a razão humana. Logo, uma conclusão racional verdadeira nunca pode contradizer uma verdade revelada verdadeira. Se parecem contradizer, significa que:

  • Um dos argumentos é falacioso
  • Ou estamos interpretando mal uma das duas coisas

Isto muda tudo. De repente, questionar não é heresia — é buscar compreensão mais profunda. Duvidar não é deslealdade — é honestidade intelectual. A razão não é inimiga da fé — é sua aliada.

As Cinco Vias: Provando a Existência de Deus Com Razão

A contribuição mais conhecida de Tomás à filosofia são as Cinco Vias — cinco argumentos racionais para a existência de Deus. Vamos explorar cada uma em linguagem simples:

Primeira Via: O Argumento do Movimento

Observe ao seu redor. Tudo está se movendo: planetas, carros, até átomos. Mas cada movimento é causado por algo. Um carro se move porque o combustível alimenta o motor. O motor funciona porque foi construído por engenheiros. Tudo que se move é movido por algo.

Mas isto não pode ir ao infinito. Tem que haver um primeiro motor não-movido — algo que causa movimento mas não é movido por nada. Este é Deus.

Aplicação moderna: A IA funciona porque alguém a programou. O programa existe porque alguém o escreveu. Tudo que existe e se move tem uma causa. A causa primeira e não-causada é Deus.

Segunda Via: O Argumento da Causalidade

No universo, vemos uma cadeia de causas e efeitos. Você existe porque seus pais existiram. Seus pais existem porque seus avós existiram. Mas esta cadeia não pode ser infinita — tem que haver uma primeira causa não-causada. Este é Deus.

Terceira Via: O Argumento da Contingência

Coisas no universo são contingentes — poderiam ou não existir. Você poderia não ter nascido. Esta montanha poderia não existir. Mas se tudo é contingente, então em algum ponto do tempo, nada existia. Se nada existia, nada poderia ter começado. Logo, deve haver algo que existe por necessidade própria — que não depende de nada. Este algo é Deus.

Quarta Via: O Argumento dos Graus de Perfeição

Observamos graus de perfeição nas coisas: este homem é mais sábio que aquele, este trabalho é mais belo que outro. Mas como sabemos comparar? Deve haver um padrão de perfeição absoluta contra o qual tudo é medido. Este padrão absoluto é Deus.

Quinta Via: O Argumento do Design

Observamos ordem e propósito no universo: olhos para ver, ouvidos para ouvir, ecossistemas em equilíbrio. Esta ordem aponta para um ordenador inteligente. Este é Deus.

Compreendendo Fé e Razão em Sua Vida

Aqui está a beleza: essas cinco vias não destroem a fé — a complementam. Um ateu pode tentar refutar cada via logicamente (e há um debate fascinante ali). Um crente pode usar as vias para articular racionalmente por que acredita. Nenhum dos dois cancelou a fé — ambos estão envolvidos em uma busca honesta pela verdade.

Tomás entendia que:

  • A razão sozinha não é suficiente — há verdades sobre Deus que transcendem o racional (a Trindade, a Encarnação)
  • Mas a razão também não é inimiga — ela prepara o caminho para a fé, ajuda a articulá-la, a defendê-la

Quando você estuda filosofia para compreender sua fé, você está sendo tomista. Quando você pensa criticamente sobre sua crença em vez de apenas aceitá-la cegamente, você está sendo tomista. Você não precisa ser um teólogo para viver o espírito de Tomás — apenas ser honesto com sua inteligência e sua espiritualidade.

A Suma Teológica: O Maior Compêndio da Fé

O que É a Suma Teológica?

Em 1265, Tomás começou um projeto monumental: compilar toda a teologia cristã de forma sistemática em uma única obra.

O resultado é a Suma Teológica (Summa Theologiae) — talvez o livro mais influente na história da teologia católica depois da própria Bíblia.

Pense na Suma como uma enciclopédia do conhecimento divino organizada de forma lógica. Ela contém 3 partes principais, subdivididas em 119 seções, que contêm mais de 3.000 questões. O texto original está em latim medieval e, quando traduzido para português, ocupa vários volumes — alguns contam mais de 2.000 páginas por volume.

Como Está Estruturada?

Primeira Parte: Trata de Deus — sua existência, natureza, atributos. "Quem é Deus?"

Segunda Parte: Trata do ser humano — nossa essência, nossas virtudes, nossos pecados. "Quem somos nós e como vivemos bem?"

Terceira Parte: Trata de Cristo e dos Sacramentos — a salvação, a Encarnação, a graça. "Como somos salvos?"

Cada questão segue o método escolástico: apresenta argumentos contrários, depois argumentos favoráveis, depois uma síntese profunda. É como um diálogo perpétuo com toda a tradição cristã.

Você Realmente Precisa Ler?

Uma pergunta honesta: você precisa ler a Suma Teológica? A resposta é nuançada.

Não, você não precisa ler toda inteira. Nem teólogos o fazem. É uma obra muito técnica, muito longa, muito medieval em seu estilo. Se você tentasse ler do começo ao fim, provavelmente ficaria perdido.

Mas você pode ler partes. Muitas edições modernas oferecem seleções temáticas. Se você quer compreender a teologia de Tomás sobre virtude, busque a questão sobre virtude. Há edições resumidas que destacam os pontos principais.

O melhor conselho? Leia comentários sobre a Suma — livros que explicam as ideias de Tomás em linguagem moderna — antes de tentar o original. Isto é perfeitamente legítimo e é exatamente como a teologia se desenvolveu: mestres explicando mestres.

O que importa não é ler cada palavra da Suma, mas compreender como Tomás pensava: de forma sistemática, em diálogo com tradições, sempre buscando a verdade integrada.

São Tomás e Você: Padroeiro dos Estudantes

Por Que Tomás é Padroeiro dos Estudantes?

A Igreja Católica designa padroeiros aos grupos profissionais ou sociais — alguém que exemplifique virtudes relevantes àquele grupo. Santa Bárbara é padroeira dos encanadores (por razões históricas). Santo Cristóvão é padroeiro dos viajantes.

São Tomás é padroeiro dos estudiosos, dos filósofos, dos teólogos, dos professores — e das universidades católicas.

Mas por quê? Não era apenas porque era inteligente. Muitos inteligentes existem. Tomás foi escolhido porque:

1. Integrou Trabalho Intelectual com Espiritualidade

Tomás não era um acadêmico seco que apenas acumulava conhecimento. Seu estudo era oração. Ele entendia que aprender sobre Deus era louvar Deus. Quando você estuda com esta atitude — buscando compreender a verdade como reflexo do Divino — você está sendo contemplativo mesmo em uma biblioteca.

2. Honrou Tanto a Razão Quanto a Fé

Em um mundo que frequentemente pede para você escolher entre ser inteligente (e logo cético) ou ser crente (e logo anti-intelectual), Tomás oferece um terceiro caminho: ser ambos plenamente. Ele não esconde sua fé por parecer "intelectualmente deficiente", nem abandona a razão por parecer desafiadora à fé.

3. Foi Persistente e Disciplinado

A Suma Teológica é um monumento à persistência. Tomás trabalhou nela até sua morte em 1274 (deixando-a incompleta, na verdade). Ele não buscava reconhecimento fácil ou sucesso rápido. Buscava a verdade, custo o que custasse, dedicando sua vida inteira.

Invocando São Tomás de Aquino: Uma Oração Prática

Se você é um estudante — seja em escola, universidade, ou até auto-ensinando-se ao longo da vida — aqui está uma oração simples para invocar a intercessão de São Tomás:

São Tomás de Aquino,
Doutor Angélico e Padroeiro dos Estudiosos,
Rogai por mim e por todos que buscam a verdade.
Dai-nos a graça de honrar tanto nossa razão quanto nossa fé,
De não temer questionar honestamente,
De nunca separar o conhecimento da contemplação,
E de caminhar sempre à luz da verdade que é Deus.
São Tomás de Aquino, rogai por nós. Amém.

Hábitos Intelectuais Que Aprendemos de Tomás

Tomás nos ensina hábitos que você pode cultivar hoje:

1. Questione Com Seriedade

Não tenha medo de fazer perguntas difíceis — sobre fé, sobre vida, sobre significado. As perguntas são o começo da sabedoria.

2. Busque os Melhores Argumentos Contra Você

Quando você acredita em algo, procure a crítica mais forte contra isso. Se sua fé sobrevive ao confronto honesto com ceticismo, ela é mais forte.

3. Integre, Não Segmente

Não viva uma vida intelectual separada de uma vida espiritual. Seus estudos são sua oração. Seu trabalho é seu louvor. Suas criações intelectuais são ofertas a Deus.

4. Persista Sem Pressa

Grande compreensão leva tempo. Tomás levou uma vida inteira. Você não precisa ter todas as respostas já. A jornada de aprender é sagrada.

O Caminho de Tomás para Santidade: Beatificação, Canonização e Doutoridade

Reconhecido Ainda em Vida

Quando Tomás morreu em 1274, aos 49 anos, já era reconhecido como o maior teólogo vivo. Seus escritos circulavam por toda Europa. Universidades o estudavam. Mas a Igreja ainda não havia oficialmente declarado sua santidade.

Beatificado em 1318, Canonizado em 1323

Cerca de 44 anos após sua morte, a Igreja investigou sua vida, seus milagres atribuídos a sua intercessão, e sua santidade. Em 1318, Tomás foi beatificado — um passo inicial no caminho para a canonização. Apenas 5 anos depois, em 1323, sob o Papa João XXII, Tomás foi canonizado. A rapidez deste processo é rara e indica o respeito imenso que a Igreja tinha por ele.

Para compreender melhor este percurso, leia nosso artigo detalhado sobre Como Uma Pessoa se Torna Santa — que explora o processo completo de beatificação e canonização.

Proclamado Doutor da Igreja

Mas o reconhecimento supremo veio ainda depois. Em 1567, o Papa Pio V proclamou a doutrina de São Tomás de Aquino como fundamento oficial do ensino da Igreja Católica. Ele foi declarado "Doutor Universal da Igreja" — um título dado apenas aos maiores mestres da tradição cristã.

Para entender o peso disto: há apenas 36 Doutores da Igreja na história. Nomes como Santo Agostinho, São Jerônimo, São Gregório Magno. Tomás está entre os mais exaltados.

Até hoje, as universidades católicas se baseiam em sua filosofia. O Papa Leão XIII, no final do século XIX, reafirmou que a teologia de Tomás deveria ser o fundamento do ensino católico. Papas subsequentes mantiveram essa tradição. Sua influência não diminuiu — se expandiu.

Outros Doutores da Igreja Celebrados em Janeiro

Uma curiosidade inspiradora: janeiro é um mês extraordinário para Doutores da Igreja. Além de Tomás, a Igreja celebra outros grandes mestres que integram fé e razão de maneiras diferentes:

São João Crisóstomo (27 de Janeiro)

Conheça mais sobre São João Crisóstomo — outro Doutor cuja eloquência era tão notável que seu nome significa "Boca de Ouro" em grego. Como Tomás, Crisóstomo integrava profundidade espiritual com clareza intelectual, mas através da pregação apaixonada e da interpretação bíblica.

São Francisco de Sales (24 de Janeiro)

Celebrado em 24 de janeiro, São Francisco de Sales foi outro Doutor da Igreja (proclamado em 1950) que demonstrou como a inteligência e a bondade podiam andar juntas na evangelização. Seu talento polemista era unido a uma extraordinária doçura.

Este padrão não é coincidência. Janeiro, o primeiro mês do ano, é dedicado aos santos que nos ensinam a pensar bem, amar bem e viver bem — exatamente o que precisamos para um novo ano cheio de propósito.

Para explorar todos os santos de janeiro, visite nosso guia completo!

Fé e Razão no Mundo Moderno: Por Que Tomás Importa Hoje

O Falso Dilema do Século XXI

Vivemos em um tempo de polarização. De um lado, há quem diga: "Seja científico e racional — abandone a fé como superstição." Do outro lado, há quem diga: "Creia simplesmente — não questione sua fé com razão, pois isso a enfraquece."

Ambos os lados estão errados. E Tomás nos mostra por quê.

A nossa época precisa desesperadamente de pensadores tomistas. Precisamos de cientistas que amam Deus. Precisamos de filósofos que também rezam. Precisamos de pessoas que podem debater ateus inteligentes sem abandonar sua fé, e que podem aprofundar sua fé sem temer a investigação racional.

O Combate ao Secularismo Com Reflexão Séria

Um dos grandes desafios do catolicismo moderno é o secularismo — a ideia de que a religião é privada e irrelevante para questões públicas. Muitos secularistas argumentam que porque a religião é "questão de fé", não pode contribuir para diálogos públicos baseados em razão.

A resposta tomista é clara: a fé tem razões. A ética católica não é baseada em capricho divino, mas em compreensão racional da natureza humana e do bem comum. A posição católica sobre vida, família, e dignidade pode ser defendida racionalmente — não apenas por fé.

Isto muda o jogo. De repente, você não está argumentando "porque a Igreja diz" — está argumentando "porque a razão e a verdade dizem", e a Igreja está em alinhamento com essa verdade.

Educar os Filhos Na Integração Fé-Razão

Se você é pai ou mãe, é tentador ensinar fé de forma simplista aos filhos: "Apenas acredite. Não questione." Mas isto frequentemente resulta em jovens que, quando confrontados por críticas inteligentes, sentem que suas crenças não resistem.

O modelo tomista é diferente: ensine fé com profundidade. Explique por que o catolicismo faz sentido intelectualmente. Permita questões. Responda honestamente. Integre — não segmente — a educação moral da educação intelectual.

Seus filhos enfrentarão um mundo secular. Se você os preparar com uma fé superficial, serão vulneráveis. Mas se você os enraizar em uma fé que resiste ao questionamento honesto, eles estarão protegidos.

Para aprofundar a educação católica dos seus filhos, leia nosso artigo sobre Padroeiros dos Professores e Estudantes — que oferece inspiração para educar filhos com integridade intelectual.

Conclusão: A Ponte Entre Seu Coração e Sua Mente

Voltemos à questão que iniciamos este artigo: "É possível ser inteligente E ter uma fé profunda?"

A resposta de São Tomás de Aquino é um "sim" ressonante.

Mais que isso: a integração não é acidental. É essencial. Seu coração e sua mente não são adversários — são parceiros. Sua razão e sua fé não competem — se complementam. Quando ambos trabalham juntos, você experimenta uma compreensão mais plena da verdade.

Você não precisa ser um teólogo para honrar o legado de Tomás. Você apenas precisa:

  • Questionar honestamente seu caminho de fé
  • Buscar compreensão, não apenas crença cega
  • Integrar seu trabalho intelectual com sua vida espiritual
  • Nunca segregar razão de contemplação

Quando você faz isto, você está vivendo em diálogo com um santo que, 800 anos depois, ainda é profundamente relevante. Você está participando de uma tradição de pensamento que reconhece que Deus deu a você uma mente e um coração, e ambos foram feitos para a verdade.

Invoque Sua Intercessão

Se você é um estudante em universidade secular — ou em qualquer caminho de aprendizado — São Tomás é seu padroeiro. Convide sua intercessão. Reze por:

  • Clareza para compreender verdades difíceis
  • Coragem para questionar honestamente
  • Sabedoria para integrar fé e razão
  • Perseverança para continuar aprendendo

Próximos Passos

Deseja aprofundar sua compreensão? Aqui estão alguns caminhos:

  1. Leia comentários sobre Tomás — livros de teólogos modernos que explicam suas ideias em linguagem acessível
  2. Explore os Santos de Janeiro — conheça os outros Doutores da Igreja celebrados neste mês extraordinário
  3. Estude o processo de canonização — compreenda como a Igreja reconhece santidade e doutoridade
  4. Aprenda mais sobre os padroeiros de professores e estudantes — descubra como invocar ajuda espiritual em sua jornada educacional
  5. Junte-se a um grupo de estudo sobre teologia católica em sua paróquia ou comunidade online

Oração Final

São Tomás de Aquino nos deixou um legado claro: a verdade aguarda àqueles que buscam com honestidade, humildade e perseverança. E essa verdade, quando encontrada, sempre aponta para Deus.

Que possamos, como Tomás, viver a integração plena de fé e razão. Que possamos questionar sem duvidar. Que possamos crer sem nos fecharmos ao conhecimento. E que possamos sempre buscar a verdade una que é reflexo do Rosto de Deus.

São Tomás de Aquino, rogai por nós. Amém.

Festa: 28 de Janeiro
Padroeiro: Dos Estudantes, Filósofos, Teólogos e Universidades Católicas
Título: Doutor Angélico; Doutor Universal da Igreja
Canonizado: 1323 | Proclamado Doutor da Igreja: 1567

 

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